top of page

RFID no controle de estoque: quando vale a pena usar?

6 de out.
5 min de leitura

O inventário exige mais tempo do que a operação consegue disponibilizar. A conferência de volumes forma filas na expedição. Algumas movimentações acontecem fisicamente, mas demoram a aparecer no sistema.


Esses problemas podem justificar uma avaliação do RFID no controle de estoque. A tecnologia permite identificar objetos por radiofrequência e pode reduzir o esforço de captura de dados em determinadas etapas do armazém.


O resultado depende de onde está o gargalo, de como as mercadorias são identificadas e de como as leituras chegam ao sistema de gestão. Antes de investir, é preciso entender qual processo poderá melhorar e como comprovar esse ganho.


O que é RFID e como funciona no controle de estoque?

RFID é a sigla para identificação por radiofrequência. A tecnologia utiliza etiquetas eletrônicas, também chamadas de tags, e leitores que capturam seus identificadores por sinais de rádio.


Profissional de armazém utilizando um leitor de código de barras para identificar mercadorias, destacando a tecnologia aplicada ao controle e à gestão de estoque.

Entre as aplicações logísticas está o RFID UHF passivo, conhecido como RAIN RFID. Nesse modelo, a etiqueta recebe energia do sinal emitido pelo leitor, sem precisar de bateria própria.


Uma diferença em relação à leitura óptica é que não é necessário enxergar diretamente cada etiqueta. Também é possível capturar múltiplos identificadores em uma operação de leitura, conforme os equipamentos e as condições do ambiente. Essas características estão descritas nos padrões RFID da GS1.


Para o controle de estoque, o identificador precisa estar relacionado ao objeto correto no sistema: um item, uma caixa, um palete ou um ativo retornável.


Essa definição muda o alcance do projeto. Ler a etiqueta de um palete identifica o palete. Para conhecer seu conteúdo, é necessário manter uma associação confiável com os produtos que ele transporta.


Em quais operações o RFID pode trazer mais benefícios?

Inventários frequentes com grande esforço de leitura

Quando a equipe dedica muitas horas à identificação individual de mercadorias, vale testar se o inventário com RFID reduz o tempo de captura e de reconferência.


O piloto deve considerar a disposição real dos produtos, as embalagens e as condições de acesso. Uma demonstração com poucas etiquetas sobre uma mesa não representa necessariamente o desempenho entre prateleiras carregadas.


Além da velocidade, verifique se as divergências ficam mais fáceis de investigar e se a contagem resultante corresponde ao estoque físico.


Recebimento e expedição com alto volume de conferências

Operações que recebem ou despacham muitos volumes podem avaliar pontos de leitura para comparar o que passou por uma área com o que era esperado.


A Zebra apresenta aplicações de captura automatizada em pontos específicos do armazém, incluindo movimentações e conferência de cargas. O projeto pode começar por uma etapa delimitada, sem exigir cobertura de todo o espaço.


A escolha faz sentido quando a conferência é um gargalo relevante e as condições de leitura permitem distinguir os volumes daquela operação.


Armazém com estantes repletas de produtos e operador movimentando mercadorias, representando o uso de RFID para rastrear itens e aumentar a eficiência no controle de estoque.

Controle de ativos retornáveis

Caixas reutilizáveis, contêineres e outros ativos que circulam repetidamente podem ser candidatos a um projeto de identificação individual.


Nesse caso, avalie se o histórico de movimentações ajudará a localizar perdas, acompanhar devoluções ou reduzir buscas. O benefício precisa ser comparado ao custo das etiquetas, à sua durabilidade e ao esforço de manter os registros atualizados.


Movimentações que ficam sem registro

Quando materiais mudam de área e a atualização depende de uma anotação posterior, investigue se a captura automatizada pode reduzir essa diferença entre o movimento físico e o registro.


O ponto de leitura precisa ter um significado operacional definido. Detectar uma etiqueta próxima a uma doca, por exemplo, não deve ser interpretado automaticamente como uma expedição concluída.


RFID ou código de barras: como escolher?

A escolha entre RFID e código de barras depende da tarefa e do custo de executá-la com confiabilidade.

Critério

Código de barras

RFID

Captura

Exige visibilidade do símbolo para leitura óptica

Usa radiofrequência, sem exigir visibilidade direta da etiqueta

Conferência de conjuntos

Frequentemente envolve leituras direcionadas a cada identificação

Pode capturar múltiplas etiquetas no campo de leitura

Infraestrutura

Leitores e identificação impressa

Tags, leitores, antenas e configuração do ambiente

Ponto de atenção

Acesso, posição e legibilidade do símbolo

Condições de propagação do sinal e delimitação das leituras

Avaliação econômica

Comparar custo e esforço do processo existente

Verificar se os ganhos justificam implantação e manutenção

As diferenças de captura são descritas na arquitetura de identificação da GS1.

Se a leitura atual atende ao volume, apresenta poucos erros e não cria filas, pode haver outras prioridades de investimento. Quando o esforço de captura limita a operação, o RFID merece uma avaliação mais detalhada.


As tecnologias também podem coexistir. A própria GS1 mantém orientações de interoperabilidade entre RFID e códigos de barras. A combinação permite escolher a identificação mais adequada para cada etapa.


Quais custos e limitações considerar?

O orçamento deve contemplar o projeto completo: etiquetas, leitores, antenas, instalação, integração, testes, treinamento e manutenção. Dependendo da operação, será necessário incluir equipamentos para impressão e gravação das tags.


Também existe o trabalho de identificar as mercadorias. Verifique se elas chegam etiquetadas, se a identificação do fornecedor pode ser aproveitada e quem ficará responsável pela aplicação e associação das etiquetas ao cadastro.


O ambiente físico merece atenção. Metais e líquidos podem afetar o desempenho das leituras. Existem etiquetas desenvolvidas para uso sobre metal, enquanto produtos com líquidos podem exigir configurações e posicionamentos específicos. Essas condições são explicadas pela GS1 em sua orientação sobre RFID próximo a metal e água.


Considere ainda o controle de exceções. O projeto deve prever o que fazer quando uma etiqueta não é lida, quando há uma identificação inesperada ou quando o mesmo objeto é detectado repetidamente.


A leitura por radiofrequência também não equivale, por si só, a acompanhar a localização exata de todos os itens continuamente. A visibilidade obtida depende da cobertura, dos equipamentos e dos eventos registrados.


Como integrar as leituras ao WMS e ao ERP?

O RFID captura identificadores. O WMS e o ERP precisam transformar essa informação em um registro coerente com a operação.


O WMS, sistema de gerenciamento de armazéns, organiza processos como recebimento, armazenagem, separação e expedição. O ERP conecta os registros logísticos aos demais processos empresariais.


Um fluxo de integração deve conseguir:

  1. Relacionar a identificação lida ao item ou volume correto.

  2. Reconhecer o contexto da leitura.

  3. Tratar repetições e identificações fora do escopo.

  4. Comparar o evento com a operação prevista.

  5. Registrar a movimentação ou encaminhar a divergência para análise.


Imagine uma conferência de embarque. Se um volume inesperado for detectado, o processo precisa permitir investigar a divergência antes de concluir a saída. A captura só ganha valor operacional quando está ligada a regras e registros confiáveis.


Por isso, o projeto deve envolver a equipe do armazém e os responsáveis pelos sistemas desde o início.


Como testar a tecnologia antes de ampliar o investimento?

Escolha um processo com dificuldade mensurável, como a contagem de uma família de produtos ou a conferência em uma doca.


Registre primeiro o desempenho atual: tempo de execução, quantidade de reconferências, divergências encontradas e esforço para atualizar o sistema. Esses dados serão a referência para avaliar o piloto.


Depois, teste com mercadorias, embalagens e condições reais. Inclua períodos de maior movimento e situações difíceis de leitura. Defina antecipadamente quais resultados justificariam continuar o projeto.


Observe especialmente:

  • Percentual de identificações esperadas que foram capturadas.

  • Leituras de objetos fora do escopo da operação.

  • Tempo total da tarefa, incluindo correções.

  • Divergências entre a conferência física e o sistema.

  • Custo e esforço para manter o processo funcionando.


Compare os benefícios medidos com os custos de implantação e operação. Horas liberadas podem aumentar a capacidade da equipe, mas só representam economia financeira direta quando se traduzem em despesas efetivamente evitadas.


Para operações com SAP Business One, o 4WMS, da 4ERP, oferece gestão de armazéns integrada ao ERP e recursos de inventário por leitura RFID. A aplicação deve ser dimensionada conforme o processo e a infraestrutura de cada cliente.


Se o inventário ou a conferência estão limitando sua operação, comece pelo ponto em que o esforço é maior. Um piloto bem definido permite avaliar a tecnologia com base no desempenho do seu armazém e construir um plano de expansão sustentado por resultados.


 
 
 

Comentários


bottom of page